Meio Seinfeld, meio Mulholland Drive. Meio Lost, meio Marley e Eu. Meio cachorra com pedaços de Nouvelle Vague. Mais curva que reta, mais Darwin que Deus, mais Brigitte que Bardot. Dividida entre línguas, cabeça, tronco e membros. Às vezes em português, às vezes numa língua que não é a minha, mas que adotei pra entender um pedaço da primeira, que sou eu.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Para 2011


Não quero ser útil – útil é furadeira.

Não quero ser necessária – necessário é eletricista.

Não quero ser fofa – deixo a função pros bichos de pelúcia.

Não quero ser fundamental – fundamental tem a ver com crença.

Não quero ter razão – razão é pra quem tem respostas.

Não quero ter certeza – isso é coisa da morte.

Não quero ter essência – meu perfume já tem.

Não quero pessimismo – é péssimo.

Não quero também otimismo – é deixar coisa demais a cargo da expectativa.

Pensando bem, não quero expectativa – expectativa tem a ver com esperança. Esperança é um inseto verde. Tem a ver com espera. Espera é coisa de consultório médico, de aeroporto, de fila.

Quero ser desejada.

Opcional.

Quero ser de carne e osso.

Sem fundamentalismos, quero mesmo poder ser várias.

Única.

Quero perguntas.

Dúvidas.

Quero essências diversas, uma pra cada dia da semana.

Quero saber que péssimo é péssimo e ótimo é ótimo, pão-pão-queijo-queijo.

Esperar, só o macarrão cozinhar, a água ferver, o sol baixar, o inverno (por favor!), o sono.

No mais, quero hoje, hoje, quero hoje amanhã, depois de amanhã. Ontem, não quero saber de cabeça, guardei na gaveta. Junto com a furadeira, o telefone do eletricista e os bichos de pelúcia .