
Não quero ser útil – útil é furadeira.
Não quero ser necessária – necessário é eletricista.
Não quero ser fofa – deixo a função pros bichos de pelúcia.
Não quero ser fundamental – fundamental tem a ver com crença.
Não quero ter razão – razão é pra quem tem respostas.
Não quero ter certeza – isso é coisa da morte.
Não quero ter essência – meu perfume já tem.
Não quero pessimismo – é péssimo.
Não quero também otimismo – é deixar coisa demais a cargo da expectativa.
Pensando bem, não quero expectativa – expectativa tem a ver com esperança. Esperança é um inseto verde. Tem a ver com espera. Espera é coisa de consultório médico, de aeroporto, de fila.
Quero ser desejada.
Opcional.
Quero ser de carne e osso.
Sem fundamentalismos, quero mesmo poder ser várias.
Única.
Quero perguntas.
Dúvidas.
Quero essências diversas, uma pra cada dia da semana.
Quero saber que péssimo é péssimo e ótimo é ótimo, pão-pão-queijo-queijo.
Esperar, só o macarrão cozinhar, a água ferver, o sol baixar, o inverno (por favor!), o sono.
No mais, quero hoje, hoje, quero hoje amanhã, depois de amanhã. Ontem, não quero saber de cabeça, guardei na gaveta. Junto com a furadeira, o telefone do eletricista e os bichos de pelúcia .
0 comments:
Postar um comentário